Um em cada quatro cortadores de cana-de-açúcar da região de Ribeirão Preto que ingressam na Justiça do Trabalho diz que sofreu coação moral durante o serviço. É o que revela um artigo publicado ontem no Relatório sobre Direitos Humanos no Brasil em 2007, da ONG Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.
O artigo é da socióloga da Unesp Maria Aparecida de Moraes Silva e do bolsista Jadir Damião Ribeiro. O levantamento inclui 320 ações trabalhistas movidas por cortadores de cana nos fóruns de Sertãozinho, Franca, Batatais e Jaboticabal, cujas microrregiões concentram as cidades com maior atividade canavieira.
"A coação moral é chamar, por exemplo, os trabalhadores de facão de borracha", afirmou a pesquisadora! , que disse que o termo é usado para designar quem não cumpre sua função com destreza.
O artigo ainda revela que 96% dos trabalhadores entram na Justiça pedindo indenizações contra a forma de cálculo dos seus pagamentos, e 75% reclamam de terceirização. Procurada, a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) não quis comentar o assunto.