Luze Azevedo - Pastoral do Migrante - segunda-feira 13 de abril de 2009
Enquanto aguardo o início da safra trabalhei na colheita de amendoim e também fazendo blocos de cimento. O ganho é pouco, mas ajuda a gente a não aumentar as dívidas de aluguel e mercado.
Teve um turmeiro que levou uma turma avulsa para cortar cana crua para o plantio num dia de domingo e no final do dia só pagou R$ 11,00, dizendo ele, que a produção foi pouca. Esse dia foi como que perdido e deu muita canseira. Estou esperando o início da safra há dois meses e passando muitas necessidades, além de estranhar muito este lugar. No final da safra de 2008, eu fiquei como fixo na usina e não retornei ao Maranhão. O cheque que recebi no acerto era sem fundo e até agora não recebi este acerto e nem os três meses trabalhados desse ano. Veja que situação! Muitos migrantes não retornaram para a safra de 2009 porque não receberam o acerto de 2008. Sentem-se inseguros com este prejuízo. Esses dias fui participar da palestra que a usina faz todos os ano no início da safra. Fizeram todas as recomendações sobre o corte de cana, sobre os EPIs, segurança, mas não falaram nada sobre salário e preço da cana. Faz dois meses que estou cortando cana crua para o plantio e vou começar a safra bem cansado, e daqui pra frente espero cortar só cana queimada e ver resultados no pagamento.