Actionaid brasil - Biocombustíveis podem ser motor da fome
O Brasil corre risco de retroceder no combate à fome, uma das principais conquistas do governo Lula, caso permita que o plantio de biocombustíveis concorra com as terras disponíveis para produção de alimentos.
Estudos do IBGE mostraram que entre 2004 e 2006 houve um aumento de 545.562 hectares na área plantada da cana-de-açúcar e uma diminuição de 1.349.333 hectares na parcela destinada às outras culturas.
“Biocombustíveis só trarão ganhos de longo prazo para o Brasil se forem tomadas medidas que efetivamente controlem o crescimento desordenado do setor como o que estamos assistindo hoje e que definam como essa produção pode ser feita sem prejuízo do meio ambiente e da oferta de alimentos”, diz Celso Marcatto, coordenador da campanha AlimentAÇÃO, da ActionAid, no Brasil.
Conferência da FAO: agrocombustíveis x crise mundial de alimentos
Durante a Conferência Regional da FAO para América Latina e Caribe que acontece em Brasília até dia 18/4, o governo brasileiro criticou Jean Ziegler, relator especial das Nações Unidas, que afirmou que a produção em massa de biocombustíveis é um crime contra a Humanidade.
"O verdadeiro crime contra a humanidade será descartar a priori os biocombustíveis e relegar os países estrangulados pela falta de alimento de energia à dependência e à insegurança", disse Lula na abertura do evento segundo a Agência Brasil.
Apesar da crítica do governo, até agora não se vêem medidas claras que demonstrem que a produção dessa nova matriz energética esteja sendo feita através de um modelo agrícola também novo, ou seja, de forma social e ambientalmente justa e sustentável.
O agronegócio não é o setor que mais abastece o mercado interno de alimentos, é conhecido por enormes passivos sociais e ambientais acumulados através de práticas que concentram terra, diminuem oferta de trabalho e destroem o meio ambiente.
A agricultura familiar, setor até bem pouco tempo excluído de incentivos, tem demonstrado, por outro lado, seu potencial como produtor de alimentos e gerador de empregos.
“Os avanços efetivos conseguidos pelo Brasil na redução da fome tiveram em grande medida a ver com políticas de incentivo à agricultura familiar e de programas de compra da sua produção para o abastecimento local”, afirma Marcatto.
Participam da 30ª Conferência Regional da FAO para América Latina e Caribe delegações dos 33 Países-Membros da Região, agências das Nações Unidas, Organismos Intergovernamentais, Organismos Não-Governamentais e observadores.