Anistia Internacional critica o trabalho nos canaviais do Brasil
| APRESENTADOR CARLOS NASCIMENTO: Dois pontos, pelo menos, são muito sensíveis na produção de álcool combustível pelo Brasil: o meio ambiente e as condições de trabalho dos cortadores de cana. A Anistia Internacional escolheu este segundo item para criticar o país. REPÓRTER: As madeireiras e os produtores de suco de laranja foram criticados, mas nada comparado aos canaviais brasileiros. A Anistia Internacional denunciou o trabalho escravo no campo, um golpe para a indústria do etanol. A organização reconhece a importância do biocombustível, mas diz que os abusos nos canaviais ferem leis de direitos humanos. E podem comprometer a credibilidade do Brasil no mercado internacional. PORTA VOZ DA ANISTIA INTERNACIONAL/ TIM CAHIL (POR TELEFONE): Se o Brasil acredita usar o exemplo do etanol e da agroindústria como base do seu crescimento econômico neste momento, que isso seja feito de uma maneira responsável, ética, e não em cima da violação dos direitos humanos. REPÓRTER: Logo agora que o Brasil está prestes a concorrer com agricultores na Europa. Na semana passada a Comissão Européia aprovou o fim dos subsídios no campo para a produção de etanol. O projeto ainda tem que ser votado pelos 27 países do bloco. A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), que representa 60% da produção nacional, divulgou nota dizendo que o relatório da Anistia Internacional é uma visão equivocada e fora de contexto e não representa a realidade do setor que emprega um milhão de trabalhadores. Para a Unica a Anistia se baseou em casos isolados de abusos no campo que ainda não foram julgados. O relatório faz um balanço negativo dos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos incorporada pela ONU. Para a Anistia Internacional, as grandes potências do mundo e até mesmo o Brasil deveriam se desculpar pelos erros cometidos e voltar a dar o bom exemplo. APRESENTADOR CARLOS NASCIMENTO: A Anistia Internacional não está totalmente errada. Em muitos lugares do Brasil as condições do corte de cana ainda deixam muito a desejar. Mas também é necessário dizer, como informou aí a Unica, que é a união dos usineiros, que as condições estão mudando. A mecanização está chegando às lavouras de cana. Agora, a pergunta que vem depois é a seguinte: quando a colheita da cana for mecanizada onde é que vão trabalhar aqueles que hoje estão nas lavouras, que devem, evidentemente, trabalhar com dignidade. Uma coisa não justifica a outra. |
Jornal | Anistia aponta exploração dos trabalhadores nos canaviais Relatório da Anistia critica "trabalho forçado" na cana Documento cita 288 trabalhadores resgatados em seis plantações de São Paulo
O governador fluminense, Sérgio Cabral Filho (PMDB), é criticado por sua "política draconiana e belicosa" e por ter abandonado promessas PEDRO DIAS LEITE DE LONDRES A Anistia Internacional, organização que investiga a situação dos direitos humanos em 150 países, criticou a situação dos trabalhadores nas plantações de cana-de-açúcar no Brasil, que são "explorados e submetidos a trabalhos forçados". Violência no Rio
|