Brasil deve enfrentar desafios ambientais Actualité News Actualidad
O açúcar através do mundo →

Projeto Brasil - terça-feira 29 de maio de 2007

O uso de etanol tornou-se uma das estratégias com maior potencial para combater o aquecimento global. No entanto, embora predomine a imagem positiva, o biocombustível precisa provar que os impactos negativos ao meio ambiente são mínimos para elevar níveis de exportação e produção em todo o mundo. O tema será uma das pautas do São Paulo Ethanol Summit, que será realizado nos dias 04 e 05 de junho.

A idéia dos países desenvolvidos – principalmente dos europeus – é importar apenas combustíveis que comprovem não causar danos sócio-ambientais. Usineiros brasileiros temem que as exigências tenham caráter protecionista, visando evitar ao máximo a participação estrangeira em mercados de países desenvolvidos.  Em reuniões recentes idealizadas pelo Projeto Brasil, pesquisadores e empresários traçaram um panorama do setor de biocombustíveis e citaram as principais preocupações ambientais: 

Uso sustentável da água 

Ainda não mensurado por grande parte das instituições de pesquisa, o uso de água pode tornar-se decisivo para o futuro de biocombustíveis. “Há atualmente uma série de novos estudos sobre ”água virtual”, ou seja, quanta água é necessária no processo de produzir um produto. Os resultados são surpreendentes: 1kg de bife são 5 mil litros de água”, afirma o economista Ignacy Sachs. Segundo ele, os resultados desses trabalhos ainda não podem ser levados à risca já que parte da água volta ao ambiente, mas a iniciativa é interessante.  Um relatório elaborado pelo Instituto Internacional de Gerenciamento de Água (IWMI, na sigla em inglês) afirma que a agricultura de alimentos usa 70 vezes mais água do que as residências. O dados são considerados alarmantes já que o total de água usada na produção agrícola a cada ano pode subir dos 7,2 mil quilômetros cúbicos, de 2006, para 13,5 mil quilômetros cúbicos até 2050. 

Poluição 

No Brasil, a produção de etanol está estritamente ligada às queimadas. A legislação de São Paulo, estado que produz 282 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, prevê o fim das queimadas até 2031. Por ordem do Governo, gradualmente o fogo deverá dar lugar ao corte mecanizado. Em 2006, cerca de 70% da área de plantio de cana teve colheita com fogo. Durante a safra 2005/2006, decretos interromperam as queimadas no estado em decorrência da estiagem e da baixa umidade relativa do ar. Um dos aspectos de importante análise na cadeia do etanol é o que será feito com os resíduos do processo. Novas tecnologias possibilitam que resíduos agrícolas, gases, ácido e pó de carvão vegetal sejam transformados em outros produtos ou sirvam de combustível para a usina, mas os custos são elevados.

 Eficiência energética 

 De acordo com o economista Ignacy Sachs, “para escolher o modelo, deve se olhar a quanta energia foi gasta para produzir essa bioenergia”. Para ele, o etanol de cana-de-açúcar sai na frente nesse aspecto, por produzir mais, com menos. Levantamentos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) atestam que a cana gasta 1.518 quilocalorias (kcal) para virar etanol, já o milho americano, 6.597 kcal, ou seja, 4,3 vezes mais energia. Outro aspecto é a produtividade, em que o Brasil também têm vantagem. Na produção com cana, um hectare produz 7 mil litros de etanol, mais do que o dobro conseguido pelos Estados Unidos. Especialistas também calculam o impacto dos biocombustíveis na emissão de gases efeito estufa. O etanol de cana reduz em 66% as emissões, enquanto o de milho chega apenas aos 12%. 

Desmatamento e erosão 

A preocupação de que a cana-de-açúcar tenha uma expansão desordenada foi declarada pelo Governo brasileiro no Plano Nacional de Agroenergia, em 2005. Para Regina Toscano, especialista da Tüv Brasil, que analisa a cadeia do etanol, os custos para adequação ambiental em uma usina de álcool são muito altos. 

Segundo Toscano, que prepara um selo de certificação do etanol, a exigências ambientais devem ser retroativas. Isso significa que será definido um ano (1989, por exemplo) e ficará estabelecido que, caso tenha havido desmatamento após aquela data, a empresa não será considerada sustentável. Outras exigências como “porcentagem e respeito a áreas de preservação e cuidados para recuperação do solo serão analisados como temas centrais nos próximos anos”, afirma.