O setor sucroalcooleiro terá, em 2008, uma boa e talvez das poucas oportunidades de implantar a certificação do etanol para conquistar com credibilidade o mercado internacional.
As tratativas em torno do certificado já ocorrem há mais de um ano sem sair da retórica. Agora o prazo ficou curto, até porque ainda neste primeiro semestre é esperada a visita ao país do comissário de Energia da União Européia, Andris Piebalgs.
Não será uma visita de cortesia. Piebalgs virá checar a quantas anda a implantação dessa certificação, cujo foco, segundo a União Européia, deve ser o ambiental. Ou seja: os europeus, que se preparam para se tornar grandes importadores de etanol, não querem um produto que fira o meio ambiente.
A ´pressão´ dos europeus irá sem dúvidas ajudar na pressa pela implantação de tal certificação. Do contrário, o tema continuaria sendo motivo de reuniões burocráticas e de apresentações em feiras e eventos do setor. No ano passado, durante o fórum de abertura da Fenasucro, em setembro, em Sertãozinho (SP), a busca do certificado de qualidade (e não apenas ambiental) para o etanol foi defendido pela maioria dos 12 palestrantes. Nenhum deles, no entanto, estimou uma data para a implantação do documento.
Não será fácil formatar a certificação porque ela passa necessariamente pelo Ministério do Meio Ambiente, notadamente contrário à presença da cana-de-açúcar em áreas verdes. Haverá uma queda-de-braços entre governo e técnicos do setor. Mas a pressão européia obrigará certamente para uma definição. A cadeia do etanol só tem a agradecer.