Cidades paulistas terão de capacitar cortadores de cana, diz Baccarin Actualidade News Actualidad
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debate on line - mercredi 16 décembre 2009

Pesquisa da Unesp mostra que indústria canavieira cortou 23 mil vagas entre junho de 2007 e junho de 2009.

Depois de divulgar uma pesquisa que aponta a queda de 23 mil vagas no corte de cana no estado paulista — entre 2007 e 2009 —, o professor universitário José Giácomo Baccarin afirma que as cidades deverão investir em projetos de capacitação de mão de obra para os bóias-frias, numa tentativa de evitar o avanço do déficit social e do desemprego.

Baccarin, que dirige o Departamento de Economia Rural da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Jaboticabal, constatou ao final da pesquisa, que a velocidade no corte do emprego da mão-de-obra se intensificou entre junho de 2008 e junho de 2009. Ele diz que a queda nas contratações pela indústria canavieira é um movimento já esperado, porém, se surpreendeu com a quantidade de cortes tão grande registrada neste ano.

“O que essas pessoas desempregadas farão no futuro ? Os municípios vão precisar investir em capacitação da mão de obra para qualificar esses trabalhadores a desempenhar outras funções”, afirmou. Baccarin está pensando em propor outra pesquisa para avaliar como — e se — as cidades estão se preparando para atender a essa demanda crescente por emprego.

Ele acredita, porém, que muitos bóias-fritas estão migrando para a indústria da construção civil, que vem registrando crescimento no país, com forte reflexo nas cidades. Em Jaboticabal, por exemplo, de janeiro até setembro, o setor criou 577 novas vagas, sendo o segundo que mais empregou na cidade, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgado pelo Ministério do Trabalho.

Na opinião do professor, a falta de qualificação da mão de obra prejudica o reaproveitamento dos cortadores de cana em outras atividades do setor sucroalcooleiro. Segundo ele, as máquinas exigem cada vez mais conhecimento e, apesar de ter crescido em 14% a oportunidade de vagas de operadores, em números absolutos representam apenas 3.700 postos de trabalho criados, comparados com os 23 mil bóias-frias que foram demitidos.

Na pesquisa da Unesp, que avaliou as informações da Rais (Relação Anual e Informações Sociais) e do Caged, em junho de 2007, eram 179.561 trabalhadores contratados para o corte da cana em São Paulo. Em junho deste ano, esse número caiu para 156.627, baixa que corresponde a 12,7%.

Baccarin afirmou que a queda também se reflete na migração de bóias-frias vindos de outros estados para a região. “Sem oportunidades de emprego, já existem trabalhadores retornando para seus estados de origem”, disse.

O professor acredita em alternativas para amenizar o impacto da mecanização de cana-de-açúcar, como investir projetos de fortalecimento da agricultura familiar, principalmente nas regiões de origem dos migrantes. “Assim, esses trabalhadores não precisariam deixar suas famílias para buscarem empregos em outros estados”, afirmou.

Na microrregião, várias cidades ainda recebem todos os anos trabalhadores de outros estados para o corte de cana, como Guariba, Pitangueiras e Barrinha.

Em Guariba, o secretário de Emprego e Relações do Trabalho, José Roberto Fernandes de Abreu, afirmou que a cidade já está se preparando para oferecer cursos de qualificação direcionados a trabalhadores que atuam no corte da cana. Ele disse que a prefeitura estuda implantar um Centro de Capacitação de Mecanização Agrícola em um dos prédios da Fazenda Santa Cruz, recentemente adquirido pelo município.

Os cursos, segundo ele, devem contar com o apoio da Usina Bonfim e de montadoras agrícolas. “Já participamos de reuniões com diretores de empresas interessadas na qualificação da mão de obra”, revelou Abreu. Ele afirmou ainda que existem na cidade aproximadamente 3 mil bóias-frias e que o corte de empregos no setor deverá se acentuar em 2014, quando as usinas deixarão de efetuar a queima da cana.

Inês Faccioli, coordenadora da Pastoral do Migrante de Guariba, afirmou ao jornal Folha de São Paulo que, apesar da baixa por empregos no corte de cana, a migração deve continuar. Para ela, ainda falta oportunidade de trabalho na região de origem dos migrantes. “Se não acharem trabalho aqui, eles vão para outros lugares”, disse Inês ao jornal.