Sem salário há 60 dias, funcionários da usina barraram entrada de caminhões de cana
Com cheques sem fundo nas mãos, cerca de 300 funcionários da Cerp (Central Energética de Ribeirão Preto), a antiga Usina Galo Bravo, fizeram uma manifestação em frente à usina ontem reivindicando o pagamento de dezembro e o 13º salário. Desde a manhã, se formou uma fila de caminhões carregados de cana na porta da usina, já que os manifestantes impediram a entrada dos veículos até as 16h.
No dia 20 de novembro, os funcionários, a maioria cortadores de cana, já tinham feito protesto semelhante por ter recebido o acerto de contas com cheque cruzado -como não podiam descontar o cheque, alegavam que não poderiam viajar ou pagar suas contas.
Segundo um dos líderes do movimento, há funcionários que não conseguiram descontar ou depositar os cheques mesmo após quatro tentativas. Esses estão há mais de 60 dias sem receber.
"Aqui na manifestação tem gente que ainda é funcionário, como é o meu caso, e gente que até já saiu da empresa no final da safra. O fato é que há mais de 60 dias não recebemos um tostão porque o cheque é sem fundo. Uma vergonha", disse o fiscal-geral Cícero José da Silva.
De acordo com ele, além de cortadores de cana, ficaram sem receber motoristas, assistentes-gerais e funcionários terceirizados. Os cheques variam de R$ 1 mil a R$ 2 mil.
O protesto teve a adesão de comerciantes que trocaram os cheques dos empregados da usina. "Eu acabei ficando no prejuízo também porque eu sempre confiei na usina, sempre troquei os cheques das pessoas mas, dessa vez, me dei mal. Troquei os cheques de R$ 1.800 de uma turma inteira [cerca de 30 pessoas] que morava em Serrana. Meu prejuízo já passa de R$ 30 mil", afirmou José Lopes, dono de uma loja de roupas e sapatos em Serrana.
Lopes afirmou que já teve problemas com cheques da usina antes, mas que nunca ficou tanto tempo sem receber.
De acordo com o advogado da empresa Amauri César de Oliveira Júnior, os cheques não têm fundo porque a empresa tinha a previsão de entrada de uma quantia de dinheiro, que não se concretizou.
"Foi feita uma reunião agora e ficou acertado que amanhã, às 10h, vamos pegar todos os funcionários de ônibus, levá-los para outro lugar e lá efetuaremos o pagamento deles em dinheiro vivo. É só levar o cheque. Primeiro, vamos acertar a situação de quem é funcionário e depois a dos terceirizados", afirmou Oliveira Júnior.
O protesto começou por volta das 7h e só terminou por volta das 16h30, após os trabalhadores ouvirem a promessa do advogado da empresa. A manifestação foi acompanhada por sete carros da Polícia Militar.