SÃO PAULO - O aumento de importância do álcool na economia brasileira é citado pelo jornal A Folha de São Paulo como um dos causadores da rotina extenuante dos cortadores de cana, que, por causa do extremo esforço físico, já têm a vida útil menor do que a de alguns escravos no século 19.
Segundo a reportagem publicada na edição deste domingo, 19 mortes já ocorreram entre cortadores de cana desde 2004. Ainda segundo o jornal, algumas empresas obrigam os trabalhadores a colher até 15 toneladas de cana por dia.
Esse esforço pode causar "problemas seríssimos de coluna, nos pés, câimbras e tendinites" e diminui o tempo de vida útil dos cortadores para cerca de 12 anos. Um historiador ouvido pelo jornal afirmou que até 1850, quando o tráfico de escravos era livre e a oferta de mão-de-obra negra era abundante, a vida útil desses trabalhadores era de 10 a 12 anos. A partir da proibição começou um melhor tratamento aos escravos, que conseguiam trabalhar por 15 a 20 ano