Cortadores de cana paralisam atividades em Mineiros do Tietê
| Salários da categoria e o valor da tonelada da cana cortada na região de Bauru são 20% menores do que os praticados nas regiões de Araraquara e Ribeirão Preto |
| Mineiros do Tietê, SP – Cerca de 700 trabalhadores rurais do setor de corte de cana dos municípios de Mineiros do Tietê e Dois Córregos encontram-se com suas atividades na Usina da Barra - pertencente ao Grupo Cosan -, paralisadas. A greve teve inicio no domingo, 08/06, tão logo que receberam o segundo salário, referente aos meses de abril e maio. Os trabalhadores se mostram descontentes e reclamam do baixo valor nos holerites. Grande número de cortadores não conseguiu receber mais do que R$ 500,00.Em Assembléia ocorrida na tarde desta segunda-feira, 09/06, na sede do Sindicato, os trabalhadores debateram sobre as questões trabalhistas enfrentadas na empresa e decidiram pela continuidade da greve. Foi feita ainda a escolha de dois representantes de cada turma que, acompanhados por dirigentes sindicais, participarão nesta quarta-feira de uma reunião de negociação.No encontro os trabalhadores pedirão reajuste salarial na casa dos 20%. O índice leva em consideração valores pagos por usinas em outras regiões do Estado de São Paulo. De acordo com o sindicalista Eduardo Porfírio, na região de Bauru o salário e o valor da tonelada de cana são 20% menores do que os praticados nas regiões de Araraquara e Ribeirão Preto, por exemplo.Os rurais exigem ainda o fim do expediente de trabalho aos domingos, limitando a jornada entre segunda e sábado. Na Usina da Barra, os cortadores de cana estão sujeitos ao sistema de trabalho chamado “5 por 1”, ou seja, cinco dias de trabalho por um de descanso, sendo este último passível de cair em qualquer dia da semana. O domingo, para grande parcela dos trabalhadores, é o dia voltado para o descanso e para as atividades familiares, sociais e religiosas. Além disso, trás outros transtornos, como o caso de famílias onde tanto o pai, quanto a mãe, trabalham nos canaviais e se vêem obrigados a deixar os filhos menores sozinhos ou ainda sob o cuidado de vizinhos ou parentes, necessitando custear do próprio bolso as despesa com os serviços de babá. |