A Gerência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego de Prudente promoveu ontem uma audiência para debater os problemas enfrentados por trabalhadores que atuam para usinas de cana.
A ação é extremamente importante e digna de elogios do órgão, que tem trabalhando incansavelmente para coibir as irregularidades e avaliar as condições subhumanas a que esses funcionários são submetidos.
Com a expansão desse tipo de indústria no oeste paulista cada vez mais será preciso fechar o cerco nas plantações e nas empresas. E os resultados têm surtido efeito, mas ainda há muito para se fazer. Porém, não basta apenas as averiguações de sindicatos e autoridades, é necessário que os empresários do setor tenham conhecimento das leis que tratam do tema e se conscientizem para valorizar o trabalhador.
É uma pena que muitos executivos, que ficam trancafiados em escritório com ar-condicionado, água gelada e banheiro higienizado, não se importem nenhum um pouco com aqueles que lhes proporcionam altas somas salariais, e que trabalham sob sol escaldante, cortando 15t de cada por dia, caminhando quase 10 km, efetuando 100 mil cortes de facão, flexionando as pernas 36 mil vezes, perdendo 8l de água e mais de 5 mil calorias todo santo dia.
A maioria dos cortadores vem de regiões distantes de SP. Procuram uma forma de ganhar dinheiro no oeste paulista em razão da falta de oportunidade de trabalho em seus respectivos Estados. A falta de emprego é tamanha que eles pouco se importam com as condições oferecidas pelas empresas. Aproveitando da necessidade muitas usinas acabam explorando essa mão-de-obra barata e sugando até a última gota de suor do empregado.
Não é apenas questão de garantir direitos trabalhistas, mas de preservar vidas, já que de 2004 a 2007, 21 pessoas morreram no Estado de São Paulo em decorrência do trabalho excessivo, ou seja, de exaustão.
Empresários, sindicatos responsáveis pelos trabalhadores no campo e autoridades têm muito trabalho pela frente com a expansão do setor. O desejo de todos é que 2009 seja um ano melhor para esses funcionários, um ano mais digno, um ano mais justo e, acima de tudo, um ano bem mais humanitário.