ES : Ministério do Trabalho divulga Lista Suja de empregadores de mão de obra escrava Actualidade News Actualidad
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seculo - lundi 3 janvier 2011

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou, nesta segunda-feira (3), a atualização do Cadastro de Empregadores flagrados explorando mão de obra escrava no País, conhecida como Lista Suja. No Estado, três empregadores foram incluídos na lista, entre eles a Infitiny. O número total de trabalhadores libertados chega a 145.

atualização, que é feita semestralmente, incluiu 88 novos nomes de empregadores, que é a maior inclusão desde o início do cadastro. Os nomes do Estado incluídos na Lista Suja são Antônio Carlos Martin, da fazenda Nova Fronteira, localizada na zona rural de São Mateus, no norte do Estado, com 75 trabalhadores libertados ; a Infinity Itaúnas Agrícola, localizada na zona rural de Conceição da Barra, também no norte do Estado, e Peris Vieira de Gouvêa, da fazenda Jerusalém, no distrito de Celina, na zona rural de Alegre, no sul do Estado.

O grupo Infinity, comprado pelo Bertin, tinha um ousado plano no Estado : montar um polo de cana de açúcar na região norte. Criado na euforia de alta das commoditys em 2007, o projeto esbarrou na queda dos preços no mercado, registrada no último trimestre de 2008.

Com o baque da crise, a Infinity não resistiu ao golpe e decretou falência, um dia após dispensar a maior parte de seus funcionários. A “Operação Disa” previa um investimento de R$ 900 milhões na compra de três novas usinas de álcool.

As três usinas estariam ligadas estrategicamente, localizadas próximas umas das outras, no norte do Estado. O negócio seria firmado na forma de uma parceria (joint-venture) com a Disa. Além da usina em Conceição da Barra, o grupo adquiriu as usinas Cridasa (Pedro Canário), uma no sul da Bahia, Ibiralcool, e uma no noroeste de Minas Gerais, Alcana (Nanuque).

Alegre

O administrador da fazenda Jerusalém, Peres Vieira de Gouvêa, entrou para a Lista Suja após uma operação do Ministério Público do Trabalho (MPT), em parceria com a Polícia Federal (PF), visando a resgatar seis trabalhadores que trabalhavam em condição de escravidão na fazenda, no dia 16 de março de 2009.

O resgate foi feito após denúncia de um dos trabalhadores, um adolescente que conseguiu fugir da fazenda após ser agredido e que denunciou o regime ao Conselho Tutelar do município. A investigação da PF e do MPT constatou que os trabalhadores viviam em condições subumanas na Fazenda Jerusalém, e a surpresa foi que em uma área muito próxima à cidade ainda se adotasse essa prática.

Em entrevista concedida à rádio CBN na ocasião, o procurador do MPT que participou do resgate, Djailson Martins Rocha, declarou que os trabalhadores nunca receberam salários e são todos alcoólatras e iletrados. Segundo o procurador, os trabalhadores retiravam os alimentos, e principalmente bebidas alcoólicas, em uma venda na própria fazenda e os gastos eram anotados. Dessa forma, os trabalhadores estavam sempre devendo ao empregador, não tendo possibilidade de desfazer o vínculo com o proprietário. A bebida alcoólica em excesso era uma forma de manter o vínculo dos trabalhadores, sem instrução e consciência. Eles não abandonavam a propriedade por medo de agressões.

Ainda segundo o procurador, o alojamento no qual os trabalhadores moravam era degradante, não havia colchões e nem condições sanitárias para a permanência de pessoas no local. Os trabalhadores, com idades entre 25 e 50 anos, também sofriam violência e intimidação por parte dos empregadores.