Efeito das queimadas é alvo de estudo inédito
Partículas finas e ultrafinas, as que mais intoxicam o organismo humano e que são liberadas por queimas como a da cana-de-açúcar, serão alvos de estudo inédito em Ribeirão Preto, Araraquara e outras cinco cidades do interior paulista.
Especialistas querem relacionar o material da queima com o aumento de doenças respiratórias e cardiovasculares. O projeto, do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP (Universidade de São Paulo) de São Paulo, que vai começar em agosto, recebeu investimento de R$ 1,8 milhão do Ministério do Meio Ambiente.
Diariamente, serão medidas partículas de 2,5 micras (milionésimos de milímetros), um tamanho que passa desapercebido nas medições da qualidade do ar feitas pelas estações meteorológicas que a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) tem em algumas cidades do Estado.
Esses centros operados pela Cetesb medem materiais de até 10 micras, o menor tamanho exigido pela legislação brasileira. Apenas na Grande São Paulo e na Região Metropolitana de Campinas, as estações chegam a medir fragmentos de 2,5 micras. Para ter idéia do tamanho do fragmento, o diâmetro de um fio de cabelo tem aproximadamente 60 micras.
"Quanto menores, mais tóxicas são as partículas, porque penetram mais fundo no pulmão'', disse o coordenador do laboratório da USP, o patologista Paulo Saldiva. As queimadas de cana-de-açúcar são o foco da atenção dos pesquisadores. Ribeirão Preto, Araraquara e Piracicaba foram escolhidas para integrar a pesquisa por causa do seu perfil canavieiro.
Outras cidades com características distintas também foram incluídas no estudo -Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Monte Aprazível e Taubaté, todas no interior. "Misturamos as cidades para ver a porcentagem de poluição pela queima'', disse Saldiva.
A medição será feita em parceria com universidades de cada município