Na Fazenda Aguinha, dos empresários Airton Antonio Daré e Jair Orvaldo Daré, em Pederneiras, os fiscais encontraram 111 pessoas morando em 17 casas, sem divisão por famílias e em condições de higiene e segurança precárias. Muitos dos cômodos tinham camas beliche para abrigar maior número de moradores cujos alimentos, botijões de gás e pertences pessoais estavam misturados sobre as camas e nos cantos. Os trabalhadores disseram que não pagam diretamente pelo aluguel das casas, mas têm parte da cana que cortam descontada. Também reclamaram que em vez dos R$ 0,25 por metro cortado, estabelecido na convenção regional de trabalho, vêm recebendo apenas R$ 0,11. Outra irregularidade é o transporte das ferramentas no mesmo compartimento dos trabalhadores, procedimento proibido há muitos anos por razões de segurança.
Irregularidades parecidas foram encontradas junto a 120 cortadores que atuam para empreiteiras do Grupo Atalla, em Mineiros do Tietê e Dois Córregos. O procurador Luiz Henrique Rafael, do Ministério Público do Trabalho, reuniu-se hoje com representantes da Fazenda Aguinha, que assumiram compromissos de solução imediata dos problemas. Na sexta-feira, deverá ocorrer uma mesa redonda com todos os empregadores fiscalizados para a elaboração de em termo de ajustamento. Os que não apresentarem solução terão o trabalho interditado e receberão multas. O coordenador do grupo de fiscalização, Roberto Martins Figueiredo, disse que está encontrando no corte de cana da região de Bauru uma das piores situações de todo Estado.