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Imprensa sindical - terça-feira 21 de agosto de 2007

Evento discute saúde do trabalhador rural

Presidente Prudente, SP – A prevenção de doenças ocupacionais no setor rural foi tema de evento ocorrido nesta terça-feira nas dependências do Campus da Unesp de Presidente Prudente. O ciclo de palestras abordou todos os fatores que afetam diretamente a saúde do trabalhador rural, principalmente os que atuam no setor do corte de cana, ramo em ascensão principalmente na região oeste do Estado de São Paulo.Técnicos do Ministério do Trabalho e Unesp explanaram sobre os riscos decorrentes do desempenho da função no campo, enfocando doenças adquiridas em médio e longo prazo. Os motivos que fazem os trabalhadores caírem enfermos, de acordo com a palestrante Iracimara de Anchieta Messias, da Unesp, são de origem física, fisiológico, mental e emocional. Lesão por esforço repetitivo (LER) ou mesmo doença ósseo-muscular referente ao trabalho (DORT) são os mais comuns.Para o sindicalista e diretor da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp/CUT), Rubens Germano, o evento é importante para que se adquira maior conhecimento e que este possa ser transmitido aos trabalhadores. “Fazemos um trabalho preventivo freqüente junto aos companheiros de trabalho no campo, alertando-os para as doenças e lesões comuns da atividade. Com a palestra, obtivemos maiores conhecimentos técnicos para transmitir não só à categoria, como também para ampliar consideravelmente nossas argumentações junto aos patrões no momento em que negociarmos, por exemplo, a aquisição de Equipamento de Proteção Individual (EPI) de qualidade e seu fornecimento aos cortadores, que é obrigatório”. Germano explica ainda que a adoção de medidas preventivas reflete diretamente na qualidade de vida do próprio cortador de cana, diminuindo os riscos de acidentes que podem até causar a invalidez do indivíduo. “Todos sabem o quanto é estafante o trabalho nos canaviais. Não é nada fácil cortar toneladas de cana por dia debaixo de temperaturas que podem chegar a 45º C, fora a sensação térmica, que é bem superior a isso. Estudos da professora aposentada da Unesp, Maria Aparecida de Moraes Silva, dá conta que a ‘vida útil’ do cortador de cana para essa tarefa é de 12 anos, ou seja, o mesmo tempo estimado de produtividade de um escravo nos anos próximos à abolição”, comenta. O evento foi organizado pela Sub-Delegacia Regional do Trabalho de Presidente Prudente, em parceria com a Fundação de Ciência, Tecnologia e Ensino da Unesp e com sindicatos ligados aos trabalhadores rurais da região.