Palmares/PE - A Superintendência Regional do Trabalho, em Parceria com o Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), resgatou 284 cortadores de cana-de-açúcar pernambucanos, encontrados em péssimas condições de higiene, alimentação, saúde e segurança no município de Palmares, a 120 quilômetros do Recife.
Entre as infrações dos empresários, a coordenadora do grupo de fiscais, Jaqueline Carrijo, conta que "Eles traziam a água e, por volta de 10h ou 11h da manhã, ela acabava, mas a jornada seguia até 15h, 16h. Então, os trabalhadores caminhavam até poços para tomar água do brejo; a empresa também não fornecia a marmita e, por isso, os empregados tinham de acordar às 3h, para preparar suas refeições e, por não haver local adequado para armazenar o alimento, deixavam ao sol, o que aumentava o risco da comida perecer mais rapidamente".
Além disso, as empresas não davam os equipamentos de proteção individual. "Por não terem a touca árabe - que protege a nuca e a cabeça da exposição solar - a pele dos trabalhadores era bastante agredida e envelhecida. Eles trabalhavam com botinas rasgadas, chinelos ou até descalços", conta a auditora do MTE.
A falta de estrutura para prestação de socorro, em caso de acidente, e de motoristas habilitados para fazer o transporte dos trabalhadores também foram flagrados pelos fiscais. "Encontramos, no dia 12, dois trabalhadores doentes, um vomitando e outro muito fraco por ter cortado o pé, mas, mesmo assim, continuava cortando cana descalço", conta Jaqueline Carrijo.
A ação começou no dia 11 de novembro e se estende até a próxima terça-feira, 25. Nas blitze, os auditores detectaram 229 empregados com carteira assinada, sendo que 55 deles não possuíam sequer o registro de nascimento. Neste tempo, foram feitas 11 interdições por haver risco de morte para os trabalhadores.
De acordo como MTE, todos os cortadores de cana receberão seguro-desemprego. Já os que estavam sem registro devem receber pagamentos retroativos desde a data de admissão da propriedade da terra, em junho de 2005, com quitação do FGTS, previdência social, entre outros benefícios.