Fornecedor de cana-de-açúcar reclama de cartel no setor Actualidade News Actualidad
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Monitor Mercantil - lundi 19 avril 2010

Fornecedor de cana-de-açúcar para a Usina da Barra, de 1956 a 2006, João Maria Carneiro Lira afirmou que foi forçado a sair do negócio.

- Não dá mais para ficar preso com a entrega para uma só usina e receber pela matéria-prima o que ela determina. O cartel que começa se formar entre as usinas, com a entrada de grandes grupos nesse mercado, está acabando com os produtores de cana e logo vai atingir o consumidor - frisou, acrescentando que já começou a produzir também soja e café.

Esta denúncia é a mesma de outros nove plantadores de cana da região de Jaú (SP) e de produtores da região de Araçatuba que, inclusive, chegaram a recorrer à Justiça. Eles afirmam que as usinas adotam práticas irregulares na compra da cana, ao exigirem exclusividade de fornecimento, e no preço pago pela matéria-prima, com objetivo de eliminar os produtores independentes e obter maior controle sobre o setor de açúcar e álcool. Essa prática, afirmam, consiste na divisão geográfica da plantação de cana, os chamados "quintais", do Estado de São Paulo. O produtor que vende cana para uma usina está impedido de vender para outra.

Os usineiros adotam ainda, segundo os produtores, uma fórmula para pagar menos pela matéria-prima. Desde 1998, esse preço é calculado de acordo com o volume de açúcar da cana, o chamado ATR (açúcar total recuperável). A partir de 2005, as usinas estabeleceram uma média entre o volume de açúcar da cana do produtor e o da cana de sua plantação própria (em terras arrendadas pelos usineiros) para definir o preço. Isso resulta sempre, segundo eles, em um volume menor de açúcar e, consequentemente, em um preço menor pago pela cana. Antes desse sistema, segundo eles, o teor de açúcar da cana na região de Jaú era de 145 quilos por tonelada, em média. No caso de alguns produtores, o volume de açúcar chegava até a 160 quilos por tonelada.

As indústrias que estariam envolvidas na suposta prática de cartel, segundo os produtores, são Usina da Barra, Dois Córregos e Diamante, que pertencem à Cosan, as usinas Santa Cândida, Della Coletta e Paraíso (do grupo Paraíso Bioenergia), além da destilaria Grizzo. Todas negam a existência de qualquer tipo de cartel e informam que os contratos seguem regras de livre mercado.

- Os grandes grupos desejam dominar desde a produção até a exportação de açúcar e álcool. O sistema de ATR não é transparente para o fornecedor. O teor de açúcar considerado é menor do que o real. Tentei vender para outras usinas e não consegui - diz Maria da Penha Lombardi, fornecedora há 12 anos para a Usina da Barra.

Na região de Araçatuba, plantadores de cana recorreram à Justiça para ter a liberdade de venda da cana. No início deste mês, decisão da Justiça beneficiou 11 produtores.

- Quando eles procuravam uma usina para vender, a resposta era "não", por conta dessa divisão de território entre os usineiros. Existe um acordo de cavalheiros entre eles muito difícil de mudar - afirmou Jonair Nogueira Martins, diretor jurídico da Producor (Associação dos Produtores Rurais de Coroado), que defende os produtores de cana da região.

Martins disse que, além da prática de reserva de mercado, outro problema na região de Araçatuba é a difícil situação financeira das usinas e a inadimplência com os produtores. Em outras regiões, como a de Ribeirão Preto, produtores também dizem estar preocupados com possíveis reflexos de aquisições e concentração no setor, liderada por multinacionais como a Louis Dreyfus.

Exportadores de carne suína projetam bom desempenho do setor em 2010

O aumento de quase 8% na receita das exportações de carne suína no primeiro trimestre , comparado a igual período do ano passado, projeta um bom desempenho do setor em 2010, na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto.

De janeiro a março, as 125, 4 mil toneladas embarcadas ainda são inferiores às 134, 8 mil toneladas do primeiro trimestre de 2009, mas a receita de US$ 293, 77 milhões supera em quase 8%, à daquele período em função dos melhores preços.

Camargo Neto atribuiu o bom resultado à demanda interna, que absorve 80% da produção e vem aumentando com o crescimento da economia e o aumento do poder aquisitivo do brasileiro. Nos últimos anos, o consumo de carne suína no Brasil passou de uma média de 10,6 quilos por habitante em 2000 para 12,7 quilos atualmente, crescimento em torno de 12%.

Em março, Rússia, Hong Kong, Ucrânia, Argentina e Cingapura foram os principais mercados compradores da carne suína brasileira. De acordo com dados da Abipecs, para a Rússia, foram embarcadas 21, 67 mil toneladas, uma queda de 7,49% em relação ao mesmo período de 2009, mas em valor houve um aumento de 16,76% (US$ 57,40 milhões).

Segundo o presidente da associação, é grande a expectativa de abertura do comércio com a China, assunto que será tratado durante a visita que o presidente Hu Jintao, faz ao Brasil nesta semana.

O Paraná, de acordo com o Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura, tem o terceiro maior rebanho de suínos do país, com 4,6 milhões de cabeças. O estado ocupa a terceira posição na produção e abate, ficando somente atrás de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

No primeiro bimestre deste ano, o Paraná exportou 7,06 mil toneladas de carne suína, 26% a mais do que em 2009, obtendo uma receita de US$ 15,762 milhões. Os dados de março ainda não foram divulgados.