A fiscalização começou nas primeiras horas da manhã. Abordados pelos auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, os cortadores de cana de uma plantação da usina do Vale do Rio Doce responderam a questionários sobre condições de trabalho, transporte, moradia e contratos.
A operação é parte de uma série de fiscalizações e está sendo realizado em todo o Estado de São Paulo.
“A gente está perguntando as condições que eles estão em relação ao pagamento. Se eles estão recebendo os equipamentos de produção. A gente faz uma entrevista com o trabalhador. Depois, a gente vem ver as condições de vivencia”, explicou Roberto Figueiredo, coordenador do Grupo de Fiscalização do Ministério do Trabalho.
Entre os equipamentos de proteção individual são necessárias botas reforçadas, peneiras, luvas, mangotes para proteger os braços e chapéus. No momento da fiscalização, nenhum dos trabalhadores usava todos os itens. Outros estavam gastos ou danificados e a responsabilidade pela reposição seria da empresa.
No ônibus de transporte tem mais irregularidades. No corredor, foi feito um flagrante: galões de agrotóxicos sendo reutilizados. Do lado de fora também não existe toldo, que seria necessário para a criação de uma área sombreada para descanso e refeições.
Em meio às perguntas dos fiscais, o próprio motorista do veículo revelou que está irregular, trabalhando sem contrato. Por dia, ele recebe o equivalente a 25% da produção.
Os fiscais também constataram a ausência de sanitários, que deveriam ser diferenciados. “Tem os dois sexos cortando cana. Então, teria que ter sanitários masculino e feminino. Não tem nenhum dos dois”, falou Figueiredo.
A usina foi notificada pelos auditores.
Outra área visitada foi a plantação de cana da usina Santana Agroindustrial, em Incem. A situação dos trabalhadores não era muito diferente, a começar pelos equipamentos de segurança encontrados. Um veículo não tem sequer autorização para transportar os trabalhadores. Os sanitários espalhados por vários pontos da plantação assustam os fiscais. Não passam de barracas sem água para higienização e sem vaso sanitário.
Segundo a empresa, tudo está regular. “Nós vamos aguardar a documentacao e verificar para os procedimentos”, falou Luiz Fernando Foresti, gerente da usina.
A usina Santana informou que as áreas fiscalizadas são de fornecedores de cana e não da usina. Já a usina Vale disse que esta semana vai providenciar os equipamentos de segurança exigidos pelos fiscais.