Funtrab debate em Amambai o impacto da mecanização sobre o emprego indígena nos canaviais Actualidade News Actualidad
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Capital news - vendredi 16 avril 2010

Nesta sexta-feira (16) acontece mais uma audiência pública para discutir a substituição dos trabalhos manuais indígenas nas usinas de cana-de-açúcar pela mecanização em Mato Grosso do Sul. O diretor geral da Funtrab (Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul), Cícero Ávila, discute o tema com mais de 38 entidades, entre governamentais e não governamentais na Câmara Municipal de Amambai.

Amambai possui três aldeias, a Limão Verde, Jaguari e a Amambai (a segunda maior do Estado), totalizando 12 mil índios da etnia Kaiowá Guarani. O objetivo é prosseguir a discussão em busca de uma possível solução, considerando os fatores antropológicos e culturais dos indígenas, sem ferir ou desrespeitar seus valores.

No Estado existem 21 usinas com 8 mil trabalhadores indígenas, a estimativa do governo estadual é que, até 2016, essas mudanças sejam concretizadas e do governo federal, até 2018, prazo para melhorar a questão ambiental e as condições de mão-de-obra.

Fabiane Vinck, psicóloga e técnica responsável pelo Programa de Saúde Mental da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), relata : “O que achei interessante foi a participação feminina, enquanto mães e esposas, preocupadas com a possibilidade de desemprego. Nossa preocupação é com a saúde desses índios e com os problemas sociais que podem ser gerados.”

Na audiência em Caarapó que ocorreu ontem (15), os indígenas se mostraram otimistas com a preocupação do governo do Estado. Nas duas audiências, foi evidente a prioridade dos indígenas em manter a cultura, praticar a agricultura, criação de pequenos animais e qualificação profissional.

A Funtrab busca possibilidades de implantar cursos de qualificação profissional através de articulações com os Ciats (Centro Integrado de Atendimento ao Trabalhador), agências de emprego credenciadas pela Fundação no interior do Estado.

“O governo do Estado fortalece o diálogo social para enfrentar o grande desafio do desemprego estrutural na população indígena”, afirma o diretor geral da Funtrab. “Os caminhos passam por uma identificação da comunidade, pela avaliação do perfil de escolaridade e pelos investimentos em qualificação profissional que, com uma economia dinâmica do Estado, permitirá a recolocação destes trabalhadores em outros setores de atividades”, conclui Cícero Ávila