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Agência Notícias do Planalto, quarta-feira, 5 de setembro de 2007 - quarta-feira 5 de setembro de 2007

Goias - Cortadores de cana-de-açúcar de Goiás exigem melhores condições de trabalho

Trabalhadores fazem greve em Goiás para obrigar usineiros a respeitar a legislação e a devolver suas carteiras de trabalho

Centenas de cortadores de cana-de-açúcar dos municípios goianos de Rubiataba, Carmo do Rio Verde e Itapaci pararam as atividades nos canaviais no incío desta semana para exigir melhores condições de trabalho. Eles querem a devolução das carteiras de trabalho – que foram retidas pelos usineiros e o seguro-desemprego.
 Para Guilherme Maciel, da coordenação nacional dos Pequenos Agricultores (MPA), a maioria dos canaviais apresenta condições muito precárias para os trabalhadores e eles não têm nenhum direito trabalhista garantido.
 "Quase igual ao uso de trabalho escravo. A pessoas se arrebentam de trabalhar e, quando não tem mais condições de trabalho, vão embora sem seus direitos. O modelo de contrato em que eles se encontram não garante os direitos trabalhistas. Com seis meses, ele fica desempregado sem direito ao seguro-desemprego".
 Entre abril de 2004 e outubro de 2005, cerca de dez trabalhadores morreram na região canavieira de Ribeirão Preto, no interior paulista. Segundo a investigação feita pela Relatoria Nacional para o Direito Humano ao Trabalho com o apoio do Ministério Público, as mortes podem ter sido provocadas por excesso de trabalho nos canaviais.
 O método de remuneração aplicado, em que o trabalhador ganha por metro quadrado cortado, tem feito com que as pessoas se esforcem além dos limites físicos, gerando mutilações, paradas cardíacas e acidentes cerebrais hemorrágicos. Desde 1996, o valor do metro cortado continua o mesmo: R$ 0,10. Geralmente, o cortador leva cerca de nove horas para cortar 200 metros de cana.