No primeiro artigo dessa série buscou-se verificar a relação entre a produção de cana-de-açúcar, o preço da terra e o preço de alimentos, tentando responder a importante questionamento so-bre a opção estratégica de se pro-duzir cana-de-açúcar para transfor-mar em energia à custa do aumen-to do preço de alimentos, com impactos sociais indesejados. A conclusão, no entanto, é que essa preocupação não encontra evidên-cia, ao menos para o Brasil no passado recente.
O crescimento da produção de cana-de-açúcar, contudo, susci-ta a necessidade de se avaliar quais são os impactos econômicos, soci-ais e ambientais deste processo, tanto para o país como um todo, como para as regiões em que tem ocorrido.
Ainda que o balanço de custos e benefícios do setor pareça positivo do ponto de vista agrega-do, pode ser que para as regiões produtoras de cana-de-açúcar os benefícios não sejam tão evidentes assim.
Em outras palavras, as regiões produtoras de cana-de-açúcar arcariam com um ônus proporcionalmente maior que o bônus gerado pelo setor.
Talvez o aspecto mais evidente em prol desse argu-mento seja o mercado de trabalho. Muitos estudos vêm analisando as condições de trabalho vigentes no setor, sobretudo aquelas conside-radas mais degradantes, associadas aos trabalhadores diretamente envolvidos no corte manual da cana-de-açúcar.
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