Jovem guarani é morto por seguranças de engenho Actualité News Actualidad
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ADITAL, SALTA, Argentina, Setembro 26, 2006 - terça-feira 26 de setembro de 2006

O índio Fabián Pereyra, 18 anos, foi morto por seguranças do Engenho Tabacal, da empresa Seabord Corporation, porque roubava laranjas. O assassinato do jovem comprova, para os movimentos sociais, a situação de violência histórica à qual os indígenas guaranis foram submetidos.

A comunidade de El Tabacal denunciou que a empresa faz o que quer, com a cumplicidade do governo, que discrimina as comunidades em conflito.

A autópsia do corpo de Pereyra revelou que o jovem morreu pelos golpes recebidos na cabeça, descartando a hipótese de que teria se afogado num canal de irrigação. Segundo conclusão dos médicos, o jovem faleceu em conseqüência de traumatismo craniano encefálico.

O Engenho San Martín do Tabacal é acusado de tomar as terras das comunidades de Orán e escravizar os seus habitantes, que teriam aceito essa situação porque permaneceriam em suas terras. Mas a automatização iniciada na década de 1960 tornou a presença dos proprietários originários destas terras inútil, quando começaram as primeiras migrações para assentamentos na cidade.

Na década de 1990, políticos peronistas venderam a empresa para investidores estrangeiros, com 40 mil hectares cultivados. Hoje, o Engenho San Martín tem mais de 8 mil empregados ilegais, mal pagos (11 pesos por jornada de 12 horas), emprega crianças, e exporta açúcar e laranja no montante de 60 milhões de dólares por ano, que caem na conta da família Bresky, da cidade de Boston, nos EUA.

De 1996 até 2002, a Seaboard Corporation, dona do Engenho e da Refinaria San Martín do Tabacal, despediu 6,8 mil famílias por causa da automação. Essas pessoas foram obrigadas a migrar para as terras periféricas da cidade de Óran, gerando um grande colapso econômico, de abastecimento e nas próprias redes de solidariedade (igrejas, ONGs tradicionais).

Paralelamente, ocorreu um processo de dessocialização das gerações urbanas guaranis (sem organização política nas novas comunidades) e conseqüente marginalização social, produzida por se encontrarem num ambiente urbano agressivo e discriminatório frente aos seus costumes.