LA Times noticia trabalho primitivo nos canaviais
Os biocombustíveis brasileiros estão na pauta da mídia internacional há vários meses como uma das grandes alternativas energéticas para o mundo.
Hoje, porém, um dos maiores jornais dos EUA tratou do lado sujo desse progresso. O períodico Los Angeles Times publicou uma reportagem sobre o “trabalho primitivo” das lavouras de cana brasileiras.
O repórter Patrick McDonnell esteve em Bocaina para acompanhar o cotidiano de trabalho dos cortadores de cana. O jornal afirma que o Brasil, “a Arábia Saudita dos biocombustíveis”, tem mais de 300 mil trabalhadores temporários na indústria da cana vivendo sob condições que variam de “deploráveis à completa servidão”.
Um dos principais entrevistados é o Procurador do Trabalho em Bauru, Luís Henrique Rafael, que relata casos de morte de trabalhadores vítimas de desidratação, ataques cardíacos ou outros fatores ligados à exaustão. “A única forma de lazer deles é a cachaça”, completou ele.
O BOM DIA vem noticiando nos últimos anos as operações do MPT (Ministério Público do Trabalho) para combater as condições precárias de trabalho no campo, em especial nas lavouras de cana.
O último balanço das operações do MPT na região mostra que em 2007 foram fiscalizadas 17 empresas e acompanhados um total de 7.674 trabalhadores.
Desse número, 368 empregados foram encontrados sem registro. Os auditores aplicaram 79 multas em empresas, a maioria por falta de condições de trabalho adequadas. Alguns trabalhadores, além da carga horária excessiva, não usufruíam de água potável e marmita térmica.
Trabalhadores das lavouras entrevistados pelo LA Times reclamaram do regime do trabalho, dizendo trabalhar 12 horas por dia, às vezes sete dias por semana sob um sol escaldante.