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quarta-feira 14 de janeiro de 2009

A média de produção dos trabalhadores nas lavouras de cana na região de Ribeirão teve queda na safra de 2008 em comparação com 2007. De acordo com levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), no ano passado, nas 19 cidades que fazem parte do Escritório de Desenvolvimento Rural de Ribeirão, os trabalhadores colheram em média 8,4 toneladas de cana por dia. Em 2007, o volume de produção por trabalhador era de 10 toneladas por dia.

De acordo com a pesquisadora científica do IEA, Celma da Silva Lago Battistella, a queda no volume de produção por trabalhador foi influenciada por fatores econômicos, políticos, climáticos e tecnológicos.

São questões como regulamentação de trabalho nas usinas, maior fiscalização dos Ministérios Público e do Trabalho e a intensificação da ação de pastorais e sindicatos. As chuvas e as condições do solo, que pode ter seu declive modificado por máquinas, também interferem na produção dos trabalhadores", disse.

Segundo Silvio Donizetti Palviqueres, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ribeirão, hoje as usinas estão mais regulamentadas e os trabalhadores do corte de cana têm direito a uma hora de almoço e pausas a cada duas horas de trabalho.

"Como existe um acompanhamento mais forte na região de Ribeirão, agora existe mais respeito. Um corte de oito toneladas por dia é uma média boa, antes, as condições eram bem piores e o trabalho maior", disse.

O Ministério Público do Trabalho informou que em 2008 houve! um aume nto geral na demanda de fiscalizações em vários setores de trabalho na região de Ribeirão, mas, não confirmou que o acompanhamento contribuiu diretamente para a queda de produção dos trabalhadores do corte de cana.

De acordo com o representante da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) em Ribeirão, Sérgio Prado, as usinas estão procurando se adequar em relação ao trabalho nas lavouras, mas, que outros aspectos também influenciaram a produção.

"O ano de 2008 foi diferente por conta de questões climáticas, tivemos um início de safra truncada pelas chuvas."

Quantidade dita a renda

O levantamento do IEA, realizado durante o segundo semestre no ano nas lavouras de todo o Estado, também mostra que a renda está relacionada a produtividade dos trabalhadores. "A pressão que existia em! cima da produção melhorou, mas como o salário depende do que eles colhem, ainda existem trabalhadores que se esforçam demais", disse a freira Inês Facioli, coordenadora da Pastoral do Migrante. De acordo com Inês, se o sistema de pagamento fosse diferente, os abusos nas lavouras seriam resolvidos. O trabalhador rural Everaltom Santos, 38 anos, que veio do Piau para trabalhar na lavoura de uma usina de Jardinópolis, disse que já chegou a cortar 13 toneladas de cana em um dia. "A gente tem de trabalhar para sustentar a família, quanto mais cana cortada, melhor", disse. Segundo os dados do IEA, o maior volume de cana colhida por um trabalhador em 2008 foi de 10,5 toneladas. Em 2007, esse número chegou a 15 toneladas por dia. (RS)

PESQUISA

Números do Ipea

15 Toneladas foi o máximo que um trabalhador colheu em 2007, segundo o Ipea

10,5 Toneladas foi o máximo que! um trabalhador colheu em 2008, segundo o Ipea

10 T! oneladas foi a média que um trabalhador colheu em 2007, segundo o Ipea

8,4 Toneladas foi a média que um trabalhador colheu em 2008, segundo o Ipea