O Procurador do Trabalho José Fernando Ruiz Maturana, do Ofício de Bauru do Ministério Público do Trabalho (MPT), abriu investigação para apurar as condições em que ocorreu o incêndio no canavial que matou o cortador de cana José Reis Soares Ferreira, no último dia 7 de outubro.
O incêndio também feriu gravemente o cortador Jaciel do Nascimento Carvalho. A tragédia aconteceu na fazenda Santa Margarida do Guaraldo e colocou em risco a vida de duas turmas de trabalhadores com aproximadamente cem pessoas.
O MPT vai averiguar se houve a aplicação das normas específicas para se atear fogo ao canavial. Existem normas de segurança no procedimento, que geralmente ocorre no período noturno, como sinais com apito, verificação de circulação do vento para se projetar a direção que as chamas vão se propagar, e acompanhamento de carro de bombeiros para evitar a propagação descontrolada, entre outros cuidados.
Segundo informações da Polícia Militar (PM) de Dois Córregos, que abriu inquérito para apurar as causas do incêndio, o fogo teria surgido repentinamente em mais de um ponto do canavial e surpreendido os trabalhadores que cortavam a cana. José Reis Soares Ferreira e Jaciel do Nascimento, e mais cerca de 60 trabalhadores, saíram correndo do local, mas vários cortadores foram cercados pelo fogo.
Somente após a queima total do canavial, foi possível resgatar as vítimas, localizadas pelos companheiros de serviço. Contudo, dois trabalhadores foram gravemente feridos. Ferreira acabou morrendo por estar com 93% do corpo queimado pelo fogo. Carvalho foi internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual de Bauru com queimaduras de 2.º e 3.º graus em 50% de seu corpo.