Com objetivo de combater o uso desenfreado de agrotóxicos, bem como reagir à estimativa que coloca o Brasil como o primeiro no ranking dos países que mais fazem uso dessas substâncias desde 2009, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) lançou, ontem (Dia Mundial da Saúde), a Campanha Nacional Contra Agrotóxicos Pela Vida
Em parceria com cerca de 50 entidades nacionais defensoras do meio ambiente e órgãos de controle governamental, o movimento pretende combater as práticas abusivas do que eles consideram um ´veneno agrícola`. A campanha foi lançada no estado com a participação do fundador e coordenador nacional do MST, João Pedro Stedile, que pediu apoio do governo do estado, principalmente na fiscalização de áreas de plantio da cana-de-açúcar, na Zona da Mata, e na região frutífera, em Petrolina.

Segundo ele, o uso indiscriminado das substâncias tóxicas já pode ser considerado um problema de saúde pública. ´O índices de consumo de veneno agrícola pelo agronegócio atingiram níveis inaceitáveis. Esse tipo de negócio substitui a mão de obra pela máquina e pelos venenos`, afirmou. Pautada em dados de aumento na incidência de câncer de estômago e outras enfermidades, a campanha tem como uma das principais metas o combate à pulverização aérea, uma das mais preocupantes formas disseminação dos agrotóxicos. ´No Brasil, 25% de todas as formas de uso são feitas através de avião. O que, além de contaminar lençois freáticos e o solo, atinge a atmosfera`, explicou o coordenador.
Ações também estão previstas no estabelecimento de um controle mais rigoroso dos rótulos dos produtos que recebem doses de agrotóxicos - na qual o coordenador enfatizou a necessidade de apoio dos grandes supermercados -, assim como o aumento da pressão sobre rótulos já proibidos em países europeus. ´Uma alternativa é a agroecologia, que usa de várias técnicas, muitas milenares, para produzir alimentos. Ela permite uma agricultura sem veneno e sem perda da produtividade`, disse Stedile.