Dois homens que atuavam na Usina Pantanal, localizada na cidade, podem ser vítimas de acidente de trabalho, após atingidos por labaredas
Dois trabalhadores morreram durante uma queima de cana-de-açúcar na Usina Pantanal, na zona rural de Jaciara. O acidente aconteceu na semana passada. Uma das vítimas morreu no local. O outro trabalhador morreu no domingo, no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá.
Os funcionários Jovaine Ribeiro de Souza, de 37 anos, e Valdinei Mendes de Oliveira, de 27 anos, estavam queimando cana-de-açúcar no último dia 16, quando foram atingidos pelas chamas. Souza não resistiu aos ferimentos e morreu na hora. Oliveira deu entrada no Centro de Tratamento de Queimados do Pronto-Socorro de Cuiabá, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Ainda não se sabe se eles estavam usando equipamentos de segurança.
A Polícia Civil de Jaciara instaurou inquérito para investigar o caso e trabalha apenas com a hipótese de acidente de trabalho. “Essa é a única linha de investigação que estamos seguindo por enquanto”, disse o delegado Victor Hugo Teixeira. Ele declarou que, de acordo com informações de outros funcionários da usina, o fogo se espalhou rapidamente, pegando Souza e Oliveira de surpresa.
Os responsáveis pela Usina Pantanal ainda não foram ouvidos pela polícia, mas devem receber a intimação para prestar depoimento nesta quarta-feira.
Conforme o Ministério Público do Trabalho, a norma que as empresas devem seguir em caso de morte por acidente de trabalho é emitir um CAT (Comunicado de Acidente de Trabalho). Mais de uma semana após a morte de um de seus funcionários, a Usina Pantanal ainda não emitiu nenhum tipo de comunicado.
O superintendente da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, Valdiney Antônio de Arruda, explicou que quando a empresa não se comunica oficialmente a respeito das mortes por acidentes de trabalho, a informação chega até o órgão por meio dos sindicatos ou da imprensa. “A gerência do Ministério do Trabalho em Rondonópolis, que cobre a área de Jaciara, ficou sabendo da notícia por meio da imprensa”.
Arruda afirmou que será feita uma fiscalização no local da tragédia e que o laudo deve ficar pronto entre 15 e 30 dias.
O presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria do Estado de Mato Grosso, Ronei de Lima, informou, por meio da assessoria de imprensa, que acredita ter havido falha na segurança dos trabalhadores. Ele disse ainda que a Federação exige que a Usina Pantanal preste esclarecimentos sobre o ocorrido.
A reportagem entrou em contato com a Usina Pantanal, mas a empresa disse que vai se comunicar oficialmente nesta quarta-feira.