Mais de 30 mil estão no corte de cana-de-açúcar Actualité News Actualidad
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Qua - segunda-feira 1º de setembro de 2008

A situação como esta é cada vez mais comum entre os nordestinos

Cerca de 20 trabalhadores rurais retornaram ao Piauí, no último final de semana, após a interferência do Ministério Público do Trabalho que recebeu a denúncia de que os piauienses estariam sendo explorados no corte de cana-de-açúcar no interior de São Paulo.

Situação como esta é cada vez mais comum entre os nordestinos, o que acaba colocando o Piauí em terceiro lugar em exportação de mão-de-obra.


A Delegacia Regional do Trabalho no Piauí não detém dados oficiais sobre trabalhadores que saem do Estado para trabalharem em outras regiões do país, mas há uma estimativa da Pastoral do Migrante de que, por ano, mais de 30 mil trabalhadores, na sua maioria do interior do Piauí, saiam para trabalhar nos canaviais e carvoarias.

De acordo Soraya Lima Mouzinho, chefe da Sessão de Fiscalização do Trabalho na DRT-PI, a dificuldade em absolver o número real dos trabalhadores que saem para outros Estados para trabalhos rurais, se dá pelo fato de que as formas de saída são várias. Neste ano, foram informados apenas mil trabalhadores que saíram do Estado de forma legal.

"Estes dados são voláteis e não temos como deter dados reais dos trabalhadores que saem do Estado de forma irregular. Sabemos que a situação de escravidão infelizmente acontece, inclusive com trabalhadores do setor urbano", explica Soraya Mousinho.

A maioria dos trabalhadores que deixa o Piauí, segue para Estados como São Paulo, Bahia, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde são empregados no cultivo da cana-de-açúcar, mas também há aqueles piauienses que vão trabalhar em Estados como Pará e Tocantins, em atividades relacionadas à Pecuária.

De acordo com Soraya Mousinho, a condição climática de cada região é que dita o período do corte e conseqüentemente a época em que os trabalhadores são "recrutados" para trabalharem nos canaviais. Na maioria das vezes, eles chegam a serem negligenciados em alguns direitos e as empresas chegam a exigir além da capacidade humana de cada trabalhador, sendo obrigados a cortar até 12 toneladas de cana.

"O que na maioria das vezes os sindicatos dos trabalhadores rurais contesta é a conferência na produção de cada trabalhador, já que geralmente a conferência não é feita de maneira transparente e os trabalhadores acabam não recebendo de acordo com a sua produção", disse ainda a chefe da Sessão de Fiscalização do Trabalho na DRT-PI. 
Fonte: Diário do Povo
Gosto da Cana

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