Mais de 160 mil trabalhadores rurais podem perder o emprego no Estado de São Paulo. É o saldo previsto para 2017, quando a mecanização da colheita da cana-de-açúcar atingir cem por cento das áreas. Os dados fazem parte de um estudo do Instituto de Economia Agrícola (IEA), que também inclui propostas para qualificar a mão de obra.
A mecanização da lavoura canavieira elimina a queima da palha mas traz o efeito imediato do desemprego. No sistema tradicional de colheita, a demanda por mão de obra é grande, mas a prática necessária das queimadas prejudica o meio ambiente. O Estado de São Paulo já definiu que a meta é mecanizar toda a colheita da cana até 2017.
O IEA revela que hoje, com 41% de mecanização, já foram eliminados 113 mil postos de trabalho. Quando o processo atingir toda área cultivada, a estimativa é de que mais de 160 mil trabalhadores fiquem sem emprego. O cálculo se resume assim, cada 1% de área mecanizada equivale a 2,700 desempregados.
Os dados aparecem na pesquisa do IEA que têm como objetivo apresentar soluções para qualificar os trabalhadores que agora estão perdendo o emprego. Entre as propostas está a instalação de centrais de ensino voltadas ao setor de bioenergia e a criação de um fundo com recursos privados para financiar a qualificação da mão de obra.
Para o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo, Brás Albertini, a situação preocupa. A entidade já procurou os governos estadual e federal, mas reclama da demora.
Dados do setor privado apontam para um desemprego ainda maior. Seriam 180 mil cortadores de cana. O certo é que as oportunidades aparecem. Com o avanço do setor sucroalcooleiro, pelo menos cem mil vagas foram criadas, mas todas elas exigem qualificação.
Por; Alessandra Mello
Fonte:Canal Rural - Sucursal São Paulo