Presidente Prudente, SP – Após capitanearem a greve de trabalhadores rurais do setor de corte de cana na usina Cocal, em Paraguaçu Paulista, os grevistas acabaram sendo demitidos na manhã desta terça-feira, 17/06.
O movimento, iniciado no sábado e que chegou a atingir cerca de 60% dos trabalhadores na segunda-feira, tinha previsão de maior adesão nesta terça. No entanto, a demissão dos integrantes da frente grevista acabou esfriando os ânimos dos trabalhadores.
Acuados pelo receio de terem o mesmo destino, as turmas locais acabaram voltando às atividades normais, mesmo sem receberem qualquer posicionamento da usina quanto às reivindicações.
Ainda ontem, a usina obteve uma liminar judicial para desocupação da entrada principal da indústria. Pelo menos trezentos grevistas haviam ocupado o local durante o dia para promoverem protesto pacifico. No entanto, a entrada de caminhões com cana era prejudicada.
Os migrantes, diferentemente do que foi divulgado ontem, são de origem nordestina, do Estado do Ceará. Os cerca de 205 cearenses estão neste momento no aguardo de toda a documentação e recebimento de valores referentes a rescisão contratual.De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Paraguaçu Paulista e Região, que acompanhou toda a movimentação dos grevistas, já há ônibus fretados pela usina aguardando nas proximidades da empresa para transportar os migrantes até suas cidades de origem.
Motivação da paralisação Os trabalhadores reivindicavam melhorias no piso salarial, para que o mesmo passasse dos atuais R$ 470,00 para R$ 560,00. Exigiam também que o valor da tonelada de cana cortada fosse majorado dos atuais R$ 2,65 para R$ 3,37.
A melhoria nas condições dos alojamentos voltados aos migrantes também estava sendo solicitada.Os trabalhadores apontam ainda irregularidades que a empresa estaria cometendo, como o excesso de faltas inexistentes dos trabalhadores; pagamento mensal do mesmo valor descrito no holerite e não o que vem sendo feito (cortadores de cana tem recebido valores bem inferiores aos especificados no holerite); holerite entregues dentro do prazo devido; e ainda exigiam que a usina cumprisse a lei e pagasse pelos dias não trabalhados justificados por atestados médicos.