O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou na quinta-feira (20/11) que vai ler com cuidado e atenção o documento em que movimentos sociais, ambientais e de direitos humanos criticam a produção de biocombustíveis no país.
O documento, entregue na quarta-feira (19/11) a diversas autoridades, foi elaborado durante seminário paralelo à Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, da qual o ministro participou (clique aqui e veja a matéria).
“Vamos verificar o que há de procedente. Nesse caso, receberemos de maneira positiva, como contribuição. Quanto ao que não for procedente, daremos a devida satisfação a quem mandou o documento.” No texto, os movimentos apresentam também propostas de mudança no atual modelo de produção do etanol.
Segundo o ministro, o mundo está acordando para a necessidade e a utilidade dos biocombustíveis, e a conferência acaba com saldo muito positivo no que se refere ao apoio da comunidade internacional a esse tipo de produto. Lobão disse que a conferência mostra que o país está na direção certa. “Devemos caminhar fortemente nessa direção até com dados estratégicos para a manutenção da segurança energética do mundo.”
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que ainda não teve acesso ao documento em que os movimentos sociais criticam a produção de biocombustíveis, mas ressaltou que manifestações como essa são positivas na democracia. “Vamos ler e analisar a carta, discutir e, se for necessário fazer outra discussão com eles (movimentos) em outro contexto, faremos.”
Para ele, os entraves à produção e comercialização de biocombustíveis podem diminuir como resultado da reunião do G20 (grupo dos países em desenvolvimento), realizada na última semana, em Washington. “Mesmo que sejamos bem sucedidos", afirmou Amorim, "a luta não termina, porque o protecionismo sempre renasce e ameaça por meio de seus pretextos".
Para o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, a conferência expressa que há uma preocupação de todos com a produção de alimentos e a sustentabilidade ambiental na construção de outra matriz energética, temas que devem ser pensados conjuntamente. “Por isso, defendemos o meio rural com gente trabalhando, produzindo, e capaz de gerar renda e riqueza em todos os países.”
Cassel disse que agricultura familiar já está no biocombustível, com mais de 100 mil famílias produzindo biodiesel, e que há possibilidade de produzirem também etanol. “É fundamental que a produção seja articulada com a produção de alimentos. É fundamental garantirmos soberania alimentar e energética para o nosso país.”
Além de críticas a produção de biocombustíveis, ONGs e Movimentos Sociais também encaminharam uma nota à imprensa exigindo a suspensão do zoneamento da cana-de-açúcar. Clique aqui e confira.