O dilema da indústria canavieira não é, certamente, uma novidade no território brasileiro. Podemos, facilmente, remontar ao período colonial, buscando impactos do processo produtivo da cana-de-açúcar para o país. Foi comum, desde a inserção inicial desta cultura nas terras do Brasil, o estabelecimento de uma estrutura que optou pela monocultura em largas extensões fundiárias, pelo trabalho escravo e pela negligência quanto à convivência criteriosa com o meio natural.
Além disso, o sistema produtivo da cana promoveu a constituição de uma pequena elite agrária no país, que concentrou grande parte das terras agricultáveis, impedindo o pleno desenvolvimento da agricultura camponesa em terras brasileiras. A economia da cana foi suplantada, posteriormente, pelo café, pela borracha amazônica, pela pecuária e pela produção de grãos, especialmente, a soja.
No entanto, na década de 1970, a crise do petróleo abriu uma nova oportunidade para a exploração da cana. Para atender à demanda nacional de combustível e diminuir a dependência de importação de petróleo, o governo militar desenhou um ambicioso programa de produção de etanol com base na biomassa da cana. Essa iniciativa estimulou a ampliação da área plantada e a expansão do cultivo para outros territórios não utilizados, até então, no cultivo da cana-de-açúcar.
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