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A situação dos Cortadores de cana

Homme-canne
 Cada máquina colheitadeira já desemprega mais de 87 trabalhadores e pode trabalhar até à noite, pois tem faróis potentes, possibilitando uma produção maior de álcool e açúcar, 24 horas por dia. Este fato vem condicionando as usinas a pressionarem os cortadores a produzir cada vez mais.
Para se ter uma idéia, um trabalhador corta cerca de 10 toneladas de cana por dia e ganhava, até abril, R$ 2,57 por tonelada cortada.Apesar do fato de, atualmente, parte dos trabalhadores terem carteira assinada e transporte garantido, isso não quer dizer que sua situação seja ideal.
Devido ao baixo valor pago por tonelada, os trabalhadores se esforçam demais para aumentar os seus salários ou para ganhar os prêmios oferecidos por algumas empresas a aqueles que batem as metas estabelecidas.
Segundo os pesquisadores do IEA, o estudo constata que é fundamental conhecer o perfil desse trabalhador, no que diz respeito a gênero, grau de instrução e faixa etária, para uma política eficaz de realocação. Mais do que isso, é preciso conhecer também o perfil dos outros grupos de trabalhadores inseridos na cadeia de produção da cana, como tratoristas, operadores de máquinas e supervisores, além de outras ocupações agrícolas e não-agrícolas. 
Na avaliação dos especialistas do IEA, dificilmente o contingente formado por cortadores de cana será absorvido dentro do setor canavieiro ou dentro do setor agropecuário. Eles vêem essa dificuldade de retorno ao mercado de trabalho até mesmo em outros setores econômicos.
Segundo os pesquisadores, antes da reinserção, é necessário que os trabalhadores passem por três fases importantes: motivação do indivíduo para que entenda seu papel dentro da economia brasileira e a importância de mudar de emprego; requalificação deste trabalhador, na qual muitos passarão até mesmo pela alfabetização; e, por último, o acesso a cursos profissionalizantes para que possam exercer novas funções.