Pastoral denuncia situação de cortadores Actualité News Actualidad
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Jornal de Piracicaba - terça-feira 7 de novembro de 2006

Eles apresentam problemas de saúde e estão sem assistência médica no alojamento São Lourenço, em Charqueada

A Pastoral do Migrante denunciou ao Ministério Público do Trabalho (MPT), em Campinas, a existência de cortadores de cana-de-açúcar com problemas de saúde e sem assistência médica no alojamento São Lourenço, no bairro rural Paraisolândia, em Charqueada. Dos 208 que iniciaram uma greve há 15 dias, alegando precariedade nas condições de trabalho, 105 permanecem no movimento.

O MPT realizaria uma audiência de conciliação ontem, mas a Feraesp (Federação dos Trabalhadores Rurais Assalariados) não enviou representantes. "Recebemos a convocação no final da tarde de ontem via fax e a data veio apagada. Quando entramos em contato, descobrimos que a audiência seria dali a apenas alguns minutos", disse o sindicalista Miguel Ferreira dos Santos Filho. Não existe previsão para uma nova reunião.

Em uma nova negociação, o Grupo Cosan, responsável pela contratação do grupo, negou a proposta dos trabalhadores, que se propuseram a voltar ao trabalho, desde que a empresa apontasse os dias paralisados como trabalhados, mesmo sem pagamento em salários, para beneficiá-los no cálculo do 13º salário e férias. Na proposta inicial, os trabalhadores queriam a rescisão de contrato. Após uma reunião realizada na sexta, a empresa determinou que quem não voltasse ao trabalho seria demitido por justa causa.

A irmã Inês Facioli, da Pastoral do Migrante, disse que entre os problemas encontrados estão torções, cortes profundos e erupções cutâneas. Um dos trabalhadores estaria com problemas psiquiátricos. Os trabalhadores alegam que para ter acesso a uma consulta médica precisam desembolsar R$ 15 e que a empresa descontaria o dia, mesmo com atestado. Eles alegam ainda que precisam pagar um "adicional" ao encarregado do alojamento para que sejam transportados até uma unidade de saúde. "A situação em Charqueada é gravíssima. Esses homens estão isolados do mundo, sem comunicação e a negociação está parada no meio do caminho. A empresa está tratando como se eles não fossem gente", disse a freira.

Por meio de comunicado oficial, enviado pela assessoria de imprensa, o Grupo Cosan afirmou: "A usina Costa Pinto esclarece que as negociações com os trabalhadores em greve encerraram-se e a empresa aplicará, aos que não voltaram às atividades normais, as medidas legalmente cabíveis. A empresa reitera que segue rigorosamente a legislação trabalhista e nega veementemente as falsas acusações de más condições de trabalho. A empresa informa ainda que possui corpo de enfermagem disponível diariamente para os trabalhadores alojados e todos os casos que requerem atendimento médico são encaminhados ao seu ambulatório".