De acordo com o presidente da Unica, Eduardo Pereira de Carvalho, o setor sucroalcoleiro vive uma expansão constante nos últimos 30 anos, ressaltando, nesse período, o lançamento do carro a álcool e dos veículos flexíveis.
Eduardo pontuou que a importância da sustentabilidade ambiental e social para o setor é crucial, além dos resultados econômicos: "Nós conseguimos reduzir de R$ 200 para R$ 800 o custo de produção do metro cúbico do álcool, entre 1986 e 2006. Já provamos que o setor é economicamente sustentável, mas isso não é suficiente. Se não formos ambientalmente e socialmente responsáveis, de nada adianta", advertiu o presidente da Unica.
Eduardo revelou que a crise energética, provocada pela escassez do petróleo, faz com que a busca por fontes de energia renováveis se torne cada vez mais necessária e indispensável.
Com o que o presidente do Ethos concordou, afirmando: "Por isso, representamos uma importante solução para o futuro, como precursores de um mundo sustentável. Estamos usando 30% a mais da capacidade do Planeta. Há hoje uma nova corrida por processos sustentáveis. Algumas usinas de açúcar e álcool estão prestes a atingir a sustentabilidade e isso pode colocar o Brasil na liderança mundial, com grande vantagem competitiva. É justamente na ameaça que surgem novas oportunidades, daí esse potencial de negócios extremamente promissor".
O trabalho do Ethos com a Unica prevê a capacitação dos gestores e a aplicação de um questionário de auto-avaliação. O objetivo é fazer um diagnóstico do estágio das usinas em relação aos temas abordados pelos indicadores: Valores, Transparência e Governança; Governo e Sociedade; Meio Ambiente; Consumidores e Clientes; Fornecedores; Comunidade e Público Interno.
"Se a agroindústria canavieira conseguir internalizar esses processos, vai mudar a história do agronegócio brasileiro", destaca Ricardo.
Responsável por 85% da produção nacional de açúcar e álcool, o Estado de São Paulo sai na frente ao promover a sustentabilidade de um dos setores tradicionalmente mais polêmicos, com o registro de 11 mortes de trabalhadores nos últimos dois anos. O Ministério Público do Trabalho investiga se as mortes foram ocasionadas por excesso de trabalho, uma vez que os trabalhadores são remunerados por produtividade. Segundo a Procuradoria Regional do Trabalho, existem 128 denúncias contra usinas em todo o Estado.
No Brasil, a agroindústria da cana-de-açúcar emprega 1 milhão de pessoas. São Paulo lidera não apenas o ranking de produção, mas concentra mais de 400 mil do total de trabalhadores da área - 95% deles com carteira assinada. O número representa 40% do emprego rural do Estado.