Social e Responsabilidade - Usinas sucroalcooleiras se engajam Actualité News Actualidad
O açúcar através do mundo →

gazeta de Riberão - domingo 2 de setembro de 2007

Social e Responsabilidade - Usinas sucrealcooleiras se engajam

Estão sendo desenvolvidos 630 projetos e atividades sociais em 150 cidades do interior de São Paulo


Em processo de profissionalização decorrente da mecanização, gestores do agronegócio trocam ações filantrópicas esporádicas por um engajamento social maduro. Muito além de agregar valor à imagem da empresa, as ações de responsabilidade social são fundamentais na valorização do trabalho - inclusive a dos cortadores de cana-de-açúcar.

"Cerca de 100 empresários do agronegócio da região de Ribeirão são responsáveis por 60% a 70% da produção de açúcar e álcool de todo o mundo. Eles saíram da filantropia e passaram a executar ações de responsabilidade social", Iza Barbosa, consultora de Responsabilidade Social da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) durante palestra sobre Responsabilidade Social Corporativa e Agronegócio, que ocorreu na noite de quinta-feira no Escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia.

A incorporação de conceitos de responsabilidade social pelos gestores do agronegócio passou a se concretizar em 2002, quando as mais de 100 usinas associadas à Unica elaboraram o primeiro Balanço Social. Este foi o primeiro passo para que houvesse o distanciamento da visão de filantropia e caridade.

No ano seguinte, a Unica fez uma parceria com o Instituto Banco Mundial para estimular o conceito de gestão responsável entre diretores e gerentes de usinas. Foram feitas diversas dinâmicas em grupo, e os participantes tiveram que trabalhar dentro dos sete temas de Responsabilidade Social do Instituto Ethos.

Atualmente, são desenvolvidos 630 projetos e atividades sociais nas áreas de esporte, qualidade de vida e educação em 150 cidades do interior de São Paulo. "As usinas perceberam que não são mais o centro, e que se misturam com todos os seus stakeholders", disse Iza. "Principalmente, compreenderam que devem se preocupar, primeiro, com seus problemas internos e valorizar o funcionário", afirmou.

Como exemplo, Iza cita o Grupo Cosan, que congrega 17 usinas. Com o objetivo de erradicar os migrantes, a empresa monta um escritório nas cidades de recrutamento. Depois de registrar o trabalhador rural, se responsabiliza pelo transporte dos novos empregados. Finalizado o período de trabalho, leva os trabalhadores de volta para casa.

"Hoje existe uma consciência de que é necessário cortar possíveis riscos, como a carteira de trabalho não assinada e um ônibus lotado e com péssimas condições. Agregando valor ao negócio, certamente há um retorno financeiro maior", afirma Iza.

Atualmente, o agronegócio é responsável pela manutenção de 400 mil empregos diretos e 1,2 milhão indiretos. No Estado, 93,8% do total de cortadores de cana são registrados, enquanto 50% dos paulistas têm carteira assinada.

Entretanto, Iza sabe que ainda há muito o que fazer. "A prioridade agora deve ser a capacitação dos trabalhadores rurais, para que eles sejam recolocados no mercado de trabalho até 2015, quando não haverá mais o corte de cana manual", afirma.

Com a mecanização, somente 15% do total de trabalhadores rurais deverão ser "aproveitados", afirma Iza. Até lá, usinas devem ser parceiras na capacitação do maior número de trabalhadores possíveis.