Social e Responsabilidade - Usinas sucrealcooleiras se engajam
Estão sendo desenvolvidos 630 projetos e atividades sociais em 150 cidades do interior de São Paulo
"Cerca de 100 empresários do agronegócio da região de Ribeirão são responsáveis por 60% a 70% da produção de açúcar e álcool de todo o mundo. Eles saíram da filantropia e passaram a executar ações de responsabilidade social", Iza Barbosa, consultora de Responsabilidade Social da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) durante palestra sobre Responsabilidade Social Corporativa e Agronegócio, que ocorreu na noite de quinta-feira no Escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia.
No ano seguinte, a Unica fez uma parceria com o Instituto Banco Mundial para estimular o conceito de gestão responsável entre diretores e gerentes de usinas. Foram feitas diversas dinâmicas em grupo, e os participantes tiveram que trabalhar dentro dos sete temas de Responsabilidade Social do Instituto Ethos.
Atualmente, são desenvolvidos 630 projetos e atividades sociais nas áreas de esporte, qualidade de vida e educação em 150 cidades do interior de São Paulo. "As usinas perceberam que não são mais o centro, e que se misturam com todos os seus stakeholders", disse Iza. "Principalmente, compreenderam que devem se preocupar, primeiro, com seus problemas internos e valorizar o funcionário", afirmou.
Como exemplo, Iza cita o Grupo Cosan, que congrega 17 usinas. Com o objetivo de erradicar os migrantes, a empresa monta um escritório nas cidades de recrutamento. Depois de registrar o trabalhador rural, se responsabiliza pelo transporte dos novos empregados. Finalizado o período de trabalho, leva os trabalhadores de volta para casa.
"Hoje existe uma consciência de que é necessário cortar possíveis riscos, como a carteira de trabalho não assinada e um ônibus lotado e com péssimas condições. Agregando valor ao negócio, certamente há um retorno financeiro maior", afirma Iza.
Atualmente, o agronegócio é responsável pela manutenção de 400 mil empregos diretos e 1,2 milhão indiretos. No Estado, 93,8% do total de cortadores de cana são registrados, enquanto 50% dos paulistas têm carteira assinada.
Entretanto, Iza sabe que ainda há muito o que fazer. "A prioridade agora deve ser a capacitação dos trabalhadores rurais, para que eles sejam recolocados no mercado de trabalho até 2015, quando não haverá mais o corte de cana manual", afirma.
Com a mecanização, somente 15% do total de trabalhadores rurais deverão ser "aproveitados", afirma Iza. Até lá, usinas devem ser parceiras na capacitação do maior número de trabalhadores possíveis.