Em coletiva de imprensa, após a sessão desta manhã no Ethanol Summit, o investidor George Soros defendeu a queda de barreiras alfandegárias nos países desenvolvidos para o etanol brasileiro. "A eliminação total talvez seja demais, mas uma redução significativa das tarifas é necessária", disse aos jornalistas.
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Para Soros, há tarifas "proibitivas" na Europa e nos Estados Unidos. "Como especulador, estou especulando que haverá uma solução para esse problema das tarifas." O Brasil, segundo ele, pode viver um excesso de oferta de etanol no mercado caso não consiga derrubar os empecilhos alfandegários. "Há um paradoxo: há excesso de oferta no Brasil, enquanto há um apetite por biocombustíveis no mundo inteiro." O investidor, que revelou intenção de investir em etanol através de parceria com a Adecco Agro, no Mato Grosso do Sul, não revelou valores dos recursos, mas disse que a expansão da Adecco deve chegar a 900 milhões de dólares em 150 mil hectares. Soros ressaltou que sua decisão de aplicar recursos em etanol é pessoal, e não de seu fundo de investimentos. Sobre a competitividade do etanol frente à gasolina, George Soros afirmou que o etanol é, sim, competitivo. Para o investidor, no futuro haverá uma diferenciação entre combustíveis poluentes e não-poluentes, e que essa diferença se reverterá em preço, o que deve favorecer biocombustíveis como o etanol. Questionado sobre possíveis tensões políticas envolvendo países produtores de combustíveis fósseis contra países produtores de biocombustíveis, Soros disse que Hugo Chávez, presidente da Venezuela, vai usar o petróleo para fazer a sua "revolução bolivariana". "Ele não vai querer o etanol", declarou Soros. Ainda sobre a questão, Soros disse que a Europa é exageradamente dependente do gás russo, o que pode trazer problemas políticos. Soros foi também questionado sobre a valorização do real frente ao dólar e afirmou que seus investimentos no Brasil tem rendido "muito bem", apesar do dólar fraco. Sobre previsões cambiais, Soros brincou: "eu posso prever o futuro das cotações das moedas com perfeição, mas não tenho autorização para revelá-las". |
Marina Motomura 05/06/2007 Fonte: Último Segundo |