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Agencia Brasil - sábado 11 de agosto de 2007

Trabalhadores da cadeia sucroalcooleira elaboram propostas para entregar ao governo

São Paulo - Um documento com propostas das categorias que integram a cadeia produtiva do setor sucroalcooleiro foi elaborado ontem (10), último dia do Encontro Nacional do Setor Sucroalcooleiro, para ser entregue ao governo federal e ao setor patronal. A informação é do assessor sindical da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria Química (CNTQ), Marcos Valério de Castro.

“O crescimento desse setor tem sido muito discutido no país e no mundo. Queremos discutir isso com a visão e a proposta dos trabalhadores. Nós vamos levar esse documento com propostas claras a respeito da remuneração, automação, da elevação da escolaridade, diminuição do trabalho penoso no campo, entre outras”.

Promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria Química (CNTQ) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o encontro começou no dia 9, com o objetivo de discutir questões ligadas ao trabalhador dentro da cadeia produtiva do álcool combustível.

Representantes de entidades sindicais e acadêmicas, empresas, organizações e instituições públicas e privadas, discutem temas como trabalho, meio ambiente, legislação, emprego e mecanização agrícola da cana, remuneração, qualificação, remanejamento de mão-de-obra, saúde e segurança do trabalho, formas de contratação e migração, certificação, queimadas, a expansão da cana e a questão alimentar, melhoria das condições de trabalho, entre outras.

De acordo com estudos do Dieese, o faturamento do setor sucroalcooleiro supera R$ 40 bilhões por ano, com cerca de quatro milhões de empregos diretos e indiretos. O estudo mostra que atualmente o Brasil é o maior produtor mundial de açúcar e álcool, além de ser o maior exportador. Na safra 2005/2006, a moagem foi de 436,8 milhões de toneladas de cana, que resultou na produção de 26,7 milhões de toneladas de açúcar e 17 bilhões de litros de álcool.

O estudo revela que, de 2000 a 2005, as exportações do setor passaram de 258 milhões de litros de álcool para 2,4 bilhões e as receitas, de US$ 33 bilhões para quase meio bilhão por ano. De acordo com o Dieese, as projeções são as de que nos próximos 10 anos as exportações de álcool cheguem a 6,9 bilhões de litros. Até 2015 deve haver um aumento de 50% na área plantada, o que é igual a mais de 9 milhões de hectares, com um faturamento chegando a US$ 25 bilhões.

Na avaliação da técnica do Dieese, Lílian Arruda Marques, que participou do painel Condições de Trabalho na Cadeia Produtiva da Cana, as condições atuais de trabalho no setor melhoraram muito nos últimos 20 anos, mas ainda há casos graves de descumprimento da legislação e péssimas condições de trabalho.

“Esse é um trabalho muito árduo. Para se ter uma idéia os trabalhadores cortam cerca de 10 toneladas de cana por dia e ganhavam até abril R$ 2,57 por tonelada cortada. Ele corta 10 toneladas por dia para ganhar R$ 26”.

Ela enfatizou que o fato de atualmente parte dos trabalhadores terem carteira assinada e transporte garantido não quer dizer que sua situação é boa. Devido ao baixo valor pago por tonelada, os trabalhadores se esforçam demais para aumentar os salários ou para ganhar os prêmios oferecidos por algumas empresas para aqueles que batem as metas estabelecidas.

“É muito desgastante. Tem que se pensar em termos de saúde, dignidade, porque não importa se ele tem escolaridade. Ele está trabalhando e exercendo sua cidadania, tentando construir uma sociedade melhor com o trabalho dele. Nesse sentido temos que repensar a relação de trabalho no meio rural”.