Caldeireiros, encarregados de moendas, destiladores, operadores de caldeira e técnicos em fermentação, filtro e tratamento de caldo. Vagas como essas, mais qualificadas do que as dos tradicionais bóias-frias, têm sido geradas neste ano nas usinas brasileiras com o avanço do setor sucroalcooleiro.
Pelo menos 5.700 novas vagas que exigem qualificação surgiram nas 19 usinas que começaram a operar na safra atual, média de 300 por unidade, segundo o setor. A demanda por pessoal qualificado também provocou alteração no quadro funcional das usinas já existentes.
Como parte das novas usinas são filiais de empresas —muitas da região de Ribeirão Preto, principal pólo produtor do país—, um contingente de diretores se deslocou para as novas unidades, abrindo vagas também na região.
Prova do avanço do setor é a pesquisa mensal da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), mostrando que, das 52 mil vagas criadas na indústria em abril, 42 mil vêm do setor sucroalcooleiro, o equivalente a 82% do total.
A alta na geração de empregos deve continuar nos próximos meses porque a safra começou em somente 145 das 270 usinas do centro-sul do país.
No próximo ano, há previsão de abertura de mais vagas qualificadas no setor, já que a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) prevê que 30 novas usinas entrarão em operação, contra as 19 que estão na sua primeira safra neste ano.
"O processo vai ser acelerado ainda mais, já que a expansão do setor provoca também a modernização", afirmou Sérgio Prado, diretor regional da Unica em Ribeirão Preto.
Salários maiores
A cadeia produtiva deve ser ampliada com vagas abertas em setores ligados ao álcool químico. O setor é a aposta de desenvolvimento do secretário da Agricultura paulista, João Sampaio, para os próximos anos.
Mário Garrefa, presidente do Ceise (Centro das Indústrias de Sertãozinho), disse que o crescimento de empregos no setor sucroalcooleiro se dá na cadeia toda. "Uma usina que moeu 1 milhão de toneladas de cana no ano passado passa para 1,3 milhão de toneladas neste ano. Com isso, cresce o total de empregados na lavoura, no transporte, na logística e em toda a parte fabril", afirmou.
Enquanto nas lavouras os bóias-frias tradicionais recebem entre R$ 700 e R$ 1.200 (R$ 2,40 por tonelada de cana cortada), as vagas qualificadas chegam a pagar R$ 3.000 —isso quando o setor encontra profissionais para ocupá-las.
"Fabricantes de máquinas estão formando pools para qualificar funcionários para os novos equipamentos. Está havendo uma deficiência enorme na operação das máquinas mais modernas. A demanda é elevadíssima", disse Mônika Bergamaschi, diretora-executiva da Associação Brasileira do Agronegócio de Ribeirão Preto.